O etarismo disfarçado de elogio
- Bruna Stamato
- 12 de jun. de 2024
- 3 min de leitura
São 6:15 da manhã de uma quarta-feira e eu estou morrendo de sono. Só não tenho mais
sonos às 6 da matina do que tenho quando começo a ouvir aquele papo (chato, chatérrimo) que nos força a agradecer e sorrir, como se, de fato, fosse um elogio ou nos deixasse extremamente radiantes.
Recentemente completei 39 anos e desde os 30, todos os anos é a mesma ladainha: "Feliz aniversário! Você está ótima, nem parece que tem a idade que tem!" ou então "Parabéns, que você continue assim, amiga, parecendo uma menina!".
Cara...é muito louco isso porque eu não tenho, nem nunca tive, a mínima intenção de me congelar no tempo, de seguir "parecendo uma menininha". Essa expressão aliás, me ativa gatilhos que eu não gosto. Porque, se a lógica que predomina no consciente coletivo (ainda) é esta, de que uma mulher só pode ser bela e interessante na juventude/adolescência então que graça tem viver? Passamos dos 20 e poucos e pronto, acabou? Os anos nos roubam amores, beleza, sexo, viagens, tudo de bom? E nos enfiam à força em mais moldes, em mais gaiolas minúsculas? Como se ser mulher já não nos trouxesse limitações e preocupações suficientes.
Que ironia...eu hoje, aos 39, gosto muito mais de mim do que aos 19! Em amplo sentido. Gosto mais do meu corpo, do meu rosto, da minha cabeça, da minha alma. Eu me sinto plenamente VIVA! Pulmões e coração a todo vapor! Digo, sem o menor pudor, que estou vivendo a melhor fase da minha vida. Não me sinto uma garotinha e nem sinto saudade da garotinha que fui um dia. Deixa ela lá, no passado, onde é o lugar dela.
Acho sim, que idade é apenas número, que o conta é a disposição, a energia, a mente.
Então, nesse sentido, quando os amigos das minhas filhas (14/16 anos) chegam dizendo "Tia! Você parece mais irmã delas do que mãe" eu entendo. Eu entendo porque eu preservo o meu espírito alegre, graças a Deus. Eu amo loucamente a vida, então tenho real entusiasmo em viver, em experimentar, me me permitir, em me desconhecer. Posso dizer que o meu espírito é jovial, tem uma disposição forte (que normalmente é associada à uma pré-disposição juvenil presumida. E eu digo presumida porque quando eu tinha 24 anos eu era muito menos disposta e ativa do que hoje). Mas eu também carrego a bagagem de quem já viveu 39 anos na Terra. E tá tudo certo.
Então, amados, que tal, quando forem elogiar uma mulher, dizerem: "Uau! Você está maravilhosa, como sempre!" ou então "Tá cada dia mais linda" e subtrairmos o "mas" e o "tempo" do elogio? "Mas" "ainda" e "tempo" não são adjetivos, meus queridos. Quando os colocamos para elogiar a beleza de uma pessoa é o mesmo que dizer "Está um dia lindo, apesar da chuva". A chuva é parte inerente da vida, da natureza, assim como o passar dos anos e dias chuvosos também são bonitos! É sobre apreciar a beleza do momento. Cada estação do ano tem a sua beleza singular e assim também é a idade, as estações da alma e do corpo, penso eu.
Deixemos as mulheres serem quem são, com as idades que têm, as marcas que o Tempo traz, essa liberdade só vem com a idade e na minha opinião é o melhor "plus" que vamos add na vida.
Acho triste e cafona em último grau, esse lance de ficar brigando contra o Tempo. De esconder a idade e de apegar exageradamente a isso.
Que cada mulher possa se expressar da forma que melhor lhe convém, que possa ESCOLHER como quer se ver no espelho e que isso seja feito de forma totalmente genuína e pessoal, sem pressões e padrões impostos por uma sociedade etarista, machista e retrógrada.
O pessoal elogia a minha aparência pelos menos 39 anos que digo ter, imagina o que diriam se soubessem que eu tenho mais de 1000 mil anos nesse mundo?! risos
Só uma brincadeirinha de uma bruxa moderna-quase-quarentona.
Bjos!
Bru
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